llEstava tudo fadado a dar errado na disputa do Superclássico das Américas, entre Brasil e Argentina, jogo que deveria ter acontecido na noite da última quarta-feira.
llO local do jogo não era dos mais viáveis. A cidade de Resistência, no norte da Argentina, com pouco mais de 300 mil habitantes, e sem nenhuma tradição em futebol.
llPara se ter uma ideia, o time da cidade, o Clube Atlético Sarmiento disputa o equivalente a quarta divisão do futebol local.
llO estádio Centenário, erguido há pouco mais de 1 ano, embora novo, é bastante rústico e fica claro que foi inaugurado sem estar totalmente preparado e adequado para grandes jogos.
llEntão porque a escolha desta cidade? Acontece que o governador da Província de Chaco, cuja capital é Resistência é amigo íntimo do presidente todo poderoso e eterno da AFA, Julio Grondona.
llAlém disso, ele é do mesmo partido da presidente do país, Cristina Kirschner, e isso no atual momento político instável argentino conta muito.
llPara se ter uma ideia, em 33 jogos anteriores entre argentinos e brasileiros em território vizinho, 29 foram em Buenos Aires, 3 em Rosário e 1 em Córdoba, cidades com total infra-estrutura para receber este tipo de evento.
llO problema de energia elétrica que originou o cancelamento do jogo já vinha se manifestando durante o dia, antes do jogo.
llOs operadores das rádios brasileiras que chegaram após o almoço ao Estádio tinham detectado um primeiro apagão no fim da tarde, quando as placas publicitárias movidas a energia estavam sendo testadas.
llJá a noite, entre 20 e 21 horas, dois apagões gerais foram presenciados pelo público que compareceu para prestigiar a decisão. Mais um forte sintoma, confirmado com o problema derradeiro, que causou o desligamento de 50 lâmpadas em 3 torres.
llOcorreu uma pressão para que o jogo fosse disputado, mesmo com iluminação de boate com gosto duvidoso, mas os times não quiseram, principalmente os goleiros Jefferson e Ustari.
llDepois de mais de uma hora de espera, os organizadores da partida chegaram a um acordo, pressionados principalmente pela delegação brasileira, que tinha voo fretado a uma da manhã para o Brasil que o jogo seria cancelado.
llUma vergonha para um país que tem o futebol nas veias, como a Argentina. Uma vergonha que rapidamente se espalhou pelo mundo e que manchou ainda mais a imagem do governo.
llAgora não se sabe como ficará a definição do campeão da segunda edição desta competição, que a bem da verdade, só atrapalha os clubes dos dois campeonatos locais.
llO Brasil afirmou, através do seu diretor de seleções, Andrés Sanchez que não existe data para um novo jogo, embora o mês de novembro marque para o dia 14 um jogo (é uma data Fifa) que ainda não tem local nem adversário.
llO dirigente brasileiro foi além, dizendo que o título deve ficar com o Brasil, devido a vitória no primeiro jogo em Goiânia por 2 a 1.
llA viagem em si já começou dramática, num voo que sofreu com fortes relâmpagos, chuva de granizo e que teve uma forte turbulência 20 minutos antes de descer. Muita gente chegou assustada a Resistência, entre eles, este colunista.
llQual será o futuro do Superclássico das Américas depois deste desfecho vergonhoso? Não só desta edição, mas das outras 3 que já estavam programadas até 2015?
llRealizá-lo fora das datas Fifa passa a ser um risco de fracasso, além de trazer muitas críticas por parte dos clubes. Fracasso porque as seleções dos 2 países nunca são as principais. E invariavelmente causa pouco interesse ao torcedor.
llAs criticas, justas, diga-se de passagem, dos clubes, porque ao tirar 2 ou 3 jogadores de uma equipe, o treinador da seleção, seja ele quem for, complica a situação no Campeonato Nacional.
llA ideia de revitalizar a antiga Copa Roca é boa através destes confrontos, mas tenho comigo que aprimorá-la neste momento, será fundamental para que dê certo. Senão teremos outros episódios como o de Resistência a todo o momento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário