llEstive em Belém nesta semana por ocasião da partida entre Independente x São Paulo pela primeira fase da Copa do Brasil.
llFazia tempo que não ia à capital paraense tanto tempo que nem me lembrava ao certo. Fui salvo pela extraordinária memória do companheiro Paulo Vinicius Coelho, o PVC, que recordou de um amistoso da seleção contra Marrocos, que fizemos em 1997, com vitória da equipe de Zagallo por 2 a 0.
llBelém embora tenha mudado muito, e evoluído nestes quase 15 anos que separam minha última visita, ainda sofre de problemas crônicos que explicam o porquê não foi escolhida como sede da Copa do Mundo.
llTrânsito muito ruim, muito devido às ruas estreitas e pessimamente asfaltadas. Infraestrutura ainda precária em relação à rede Hoteleira e muita sujeira espalhada pelas ruas e pelos muitos córregos que cruzam a cidade.
llClaro que boa parte desses problemas atinge também as cidades escolhidas, mas deixei a capital paraense com a certeza que a não escolha foi certa, mesmo que tenha sido política.
llTambém fiquei decepcionado com as condições dos 2 times principais da cidade: Remo e Paissandu.
llEmbora ainda contem com a torcida em massa da população da cidade (tanto que o último clássico foi visto por mais de 35 mil pessoas), os clubes estão em processo de falência administrativa.
llO Remo briga para ser campeão estadual para conseguir voltar a disputa da série D do Brasileiro. E o Paissandu, que está na série C, mergulhado em dividas , tem dado vexames. Na última rodada do Campeonato Paraense havia perdido no seu estádio, Curuzu, por 3 a 0 para o desconhecido São Francisco.
llBem, mas vamos falar um pouco do adversário do São Paulo, um time quase amador que agora é da cidade de Tucurui, a 450 quilômetros (8 horas e meia de ônibus) de Belém.
llTucurui é por sinal a maior Usina Hidrelétrica Brasileira, uma vez que Itaipu é binacional. Por isso o time é chamado de Galo Elétrico.
llNo ano passado,de forma surpreendente, o Independente, contando com o apoio da Prefeitura, conseguiu o inédito titulo paraense, que o credenciou a disputa da Copa do Brasil.
llFoi o primeiro time do interior a se sagrar campeão, quebrando a escrita dos times da capital, os já citados Remo e Paissandu e o decadente Tuna Luso.
llA folha salarial da equipe é de 120 mil reais mensais, menos da metade do que ganha o atacante Luis Fabiano, do São Paulo.
llO maior salário do elenco é do veterano Gian, ex –Vasco e seleções de base do Brasil, que aos 38 anos consegue ganhar 8 mil reais mensais e é o único atleta do elenco que mora num Hotel.
llEra de suma importância o time provocar o segundo jogo em São Paulo (o que acabou acontecendo), para que a renda do jogo no Mangueirão ficasse toda para a equipe paraense.
llTanto que o presidente Deley Santos prometeu um bicho de 50 mil reais aos atletas se conseguissem o feito. As quase 25 mil pessoas que estiveram no Mangueirão proporcionaram uma renda de quase 500 mil reais e descontadas as despesas, o Independente ficou com 360 mil reais.
llEste dinheiro será suficiente não só para pagar o prêmio,. Como bancar a folha de pagamento até o fim do Paraense e adquirir um terreno onde será erguido o CT do clube.
llO Independente já foi de Belém. Era um time obscuro de um bairro de periferia, que em 2007 resolveu aceitar a proposta de Tucurui e representar a cidade no futebol.
llNo inicio era uma parceria, mas os empresários gostaram tanto da idéia que fizeram uma espécie de consórcio e 180 cotas foram vendidas a 500 reais cada, proporcionando 90 mil reais, dinheiro que foi utilizado para comprar a equipe do ex-proprietario.
llAté o ano passado, a Prefeitura de Tucurui pagava transporte, estadia e alimentação da imprensa de Belém para que os jogos do clube tivessem cobertura nas rádios, TVs e jornais.
llÉ um time que utiliza uma Kombi para levar os jogadores ao local de treinamento. Como não cabe todo o elenco, a Kombi faz três viagens até o técnico reunir todos os jogadores.
llE mais , enquanto o São Paulo ficou no melhor Hotel de Belém, ao custo de 450 reais o quarto, o Independente ficou, após viajar 8 horas e meia de ônibus numa espelunca que não faz frente aos hotéis de quinta categoria de São Paulo.
llNo final do jogo, vitória simples de 1 a 0 para Tricolor provou mais uma vez que conforto e folha salarial não entram em campo. Que o negócio nas 4 linhas é quem pode mais chora menos.E o Tricolor chorou a vitória enquanto o Galo Elétrico vibrou com a derrota. Vai entender!!!
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